Entrevistas

Abaixo você verá uma compilação de questões e respostas tiradas das últimas entrevistas com o Headhunter D.C. em diferentes 'Zines / Webzines e revistas do Brasil e da América do Sul. Abra uma cerveja e boa leitura!

Portal Novo Metal (Brasil): Hail Sergio Baloff! Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-los pelo melhor álbum dos vinte anos de carreira da banda e, sobretudo, um dos mais completos do gênero Death Metal que já tive a oportunidade de escutar, o soberano God`s Spreading Cancer....

Sergio Baloff - Deathmetálicas saudações a todos!!! Deixemos a aniquilação de Deus começar... Que bom que tenha gostado do álbum, grande Eduardo Macedo! Com o perdão do clichê (porém, trata-se da mais pura verdade), essa é sem dúvida a maior recompensa que podemos ter por todo o árduo trabalho desenvolvido, pois assim como tudo o que temos feito ao longo dessas duas décadas de estrada, trata-se de um trabalho feito por maníacos metalheads para maníacos metalheads. Então ouvir cumprimentos vindos de quem realmente vive o Metal Underground é a prova de que todo o esforço tem, de verdade, valido a pena. Nós realmente acreditamos no poder de fogo que God`s Spreading Cancer... tem como um álbum de True Death Metal, e apesar do pouquíssimo tempo de lançado, a resposta daqueles que à ele já tiveram acesso tem sido incrível. Essa é mais uma oferenda profana do HEADHUNTER DEATH CULT ao universo do Death Metal, pelo qual tanto lutamos e defendemos há longos anos com unhas e dentes. É o mínimo que poderíamos oferecer em troca de tanto prazer que esse estilo de música e de vida tem nos proporcionado durante todos esses anos. E a saga continua...

Site Whiplash! (Brasil): Vinte anos é mais do que a idade de muitos dos leitores do Whiplash!... Como você vê esta nova geração de bandas e público, comparada com o início da cena underground no Brasil?  

Sérgio: É, o tempo passa, cara, e com ele muita coisa muda também, umas para melhor, outras para pior. Bem, falando sobre bandas, eu acho que dificilmente acontecerão novas revoluções dentro do Metal como aconteceram no passado, o que é em parte compreensível. Creio que tudo de realmente revolucionário já foi criado pelos grandes mestres, então é hora de justamente manter vivo esse espírito revolucionário dentro do Metal, e isso eu tenho sentido falta nessa nova geração de bandas. É claro que muitas delas têm procurado manter viva algumas tradições do Metal em sua música – independente de estilos –, algumas com excelentes resultados, enquanto que outras, talvez até sua maioria, não possuem a essência necessária e acabam soando extremamente forçado, falso. Além desse, outros aspectos poderiam ser mencionados aqui a esse respeito, como a facilidade e velocidade com que se monta uma banda e se grava um CD atualmente, diferente de toda a dificuldade enfrentada há 15, 20 anos, o que pode vir a transformar em negativo algo que deveria ser positivo. Quanto ao público atual, bem, não sei se seria o caso compará-lo com o dos primórdios da cena no Brasil; são épocas diferentes, com realidades diferentes e, na maioria dos casos, mentalidades idem. Eu acho que ao mesmo tempo em que parte dessa nova geração de “bangers” (em alguns casos o uso das aspas é mesmo indispensável) dispõe de toda essa facilidade e acessibilidade a tudo graças à globalização – o que em minha opinião tem sido altamente danoso ao lado ideológico e à manutenção do espírito Underground na cena –, ela também é uma geração carente de verdadeiras emoções, as mesmas emoções que sentíamos ao receber uma carta manuscrita, ou um pacote de fitas cassete com gravações raríssimas conseguidas através de ‘tapetradings’ ou ainda conferir o novo LP de sua banda favorita. Tudo se tornou virtual demais, banal demais, e o valor outrora dado a cada pequena conquista, seja a simples aquisição de um material (antigamente nem tão simples assim...) ou a oportunidade de assistir a um show realmente fudido, por exemplo, cai a quase zero. Felizmente, como em toda regra, existem as exceções, e são essas que mantém a antiga chama acesa.
  

Portal Novo Metal (Brasil): Como essa é uma entrevista especial dividida em duas partes, tentaremos englobar todas as fases na trajetória do Headhunter D.C.. Levando-se tal afirmativa em consideração, iremos voltar no tempo, rumo aos idos do ano de 89, quando do lançamento da Demo-Tape Hell Is Here. Mesmo você, Sergio Baloff, não fazendo parte do line up do grupo na época (N.E: O vocalista que registrou a Hell is Here era conhecido como Falsão), todavia atuante na cena no período supracitado, quais suas principais recordações do cenário naquele momento? Hoje, passados quase vinte anos da concepção do artefato, qual a importância desse material para a historia da banda?

Sergio Baloff - Antes de mais nada, e aproveitando que você falou do Falsão e daquele período, digamos, “mágico” pra todos aqueles que viveram aquela época, queria dizer que recentemente, após anos, reencontramos o grande Eduardo “Falsão” (ou Eduardo “Metal Killer”, para quem o conheceu ainda antes do HEADHUNTER D.C.), e que foi um prazer e uma honra fudida voltarmos a ter contato com esse cara que foi de grande importância para nossa cena extrema local, além de percebermos que ainda trata-se do mesmo cara fudido de sempre. Hail Falsão! Hell is Here tem uma importância inominável em nossa carreira, pois foi quando tudo começou a fluir de uma forma um pouco mais abrangente para a banda. A menos que me provem o contrário, Hell is Here foi o primeiro registro oficial (gravado em estúdio profissional) de uma banda de Death Metal no Nordeste (e possivelmente no Norte/Nordeste), ainda levando em consideração que sua gravação foi realizada logo no início de 1989, contando com mais 2 músicas (num total de 6), as quais integrariam um 12” EP intitulado Noise, que por motivos burocráticos jamais fora lançado. O único registro de uma banda de Death/Black Metal realizado nessa época no Norte/Nordeste que me vem à mente agora é a Demo Tormenting The Holy Trinity do MYSTIFIER. Além da excelente repercussão que a mesma obteve na época - e que acabou chamando a atenção da Cogumelo Records, culminando no contrato assinado no final de 1990 e no lançamento de nossos dois primeiros álbuns. Outro grande feito obtido com a Demo Hell Is Here foi a distribuição da mesma nos EUA pelo então bem conhecido selo americano Wild Rags Records, que lançou o Fallen Angel of Doom... do BLASPHEMY, o Bride of Insect do NUCLEAR DEATH, entre outros clássicos, algo muito difícil de se conquistar àquela época. Enfim, temos muito orgulho mesmo da Demo Hell is Here, e apesar de não ter feito parte daquela formação, assino em baixo por tudo o que foi feito ali. A propósito, existe título mais apropriado para a nossa atual realidade? Mesmo não fazendo parte do line-up oficial da banda nesse período, eu era como o quinto membro do grupo, pois era a pessoa “de fora” mais próxima do HEADHUNTER D.C.; eu era roadie dos caras, fotógrafo e, logicamente, die hard fan #1, alguém que sempre os acompanhou desde os seus primeiríssimos dias. Lembro-me que os ensaios do HEADHUNTER D.C. no período com o Falsão (de 87 a 89) era como um “emprego” pra mim. Acordava todo domingo (às vezes no sábado) às 6, 6:30 da manhã pra sair do subúrbio de Salvador até o bairro da Pituba (o berço da cena Death Metal de Salvador) e quase duas horas depois tava lá “batendo o cartão”, batendo cabeça juntamente com outros maníacos da época mais os caras da banda dentro de um quartinho na casa do baterista Iaçanã - esses ensaios eram divididos com o THRASHMASSACRE, que por sinal emprestava seu batera ao HEADHUNTER D.C.. Na falta de shows de Heavy Metal em Salvador, aquilo era show para nós, e pelo menos um por semana! Bons tempos, cara, bons tempos... Naquela época, fazendo Metal mais porrada nós tínhamos apenas o HEADHUNTER D.C. (que surgiu após a dissolução do TÚMULO, de 86), o THRASHMASSACRE (da qual eu fiz parte antes de integrar-me ao Culto) e o KRÂNIO METÁLICO (Paulinho R.I.P.), que foi o grande pioneiro aqui na Bahia. Era uma época mágica, apesar das inúmeras dificuldades, mas como costumo dizer, era nessas dificuldades que estava a verdadeira essência da coisa. Quem realmente tinha o Metal correndo nas veias enfrentava todas as barreiras para defender a Causa, dar continuidade à essa Causa. Não era como hoje, quando todos têm tudo ao seu dispor ao apertar de uma tecla, e o valor do “ser um headbanger, um metalhead” cai consideravelmente. É claro que muita gente daquela época ficou pelo caminho; não estou querendo dizer que quem era daquela época era mais fudido que os de hoje, nada disso, mas os resistentes, os sobreviventes, enfim, os mais fortes que restaram estão aí pra contar a história, e quero que os de hoje estejam aí daqui a 20 anos para também contarem a sua história. Como costumo dizer, “Only the strongest survive!” (“Long Live The Death Cult”).

Portal Novo Metal (Brasil): Para muitos, inclusive para esse redator, o primeiro LP do Headhunter D.C., Born...Suffer...Die (91), está no rol dos clássicos absolutos do Death Metal mundial. Recordo-me que com sua entrada, a banda assumiu um patamar qualitativo muito superior do que outrora era constatado. Mesmo a cena estando infestada por desentendimentos ideológicos envolvendo “carecas”, punks e bangers, qual a sensação de após todo esse tempo ter seu trabalho reconhecido mundialmente como uma referencia pro estilo? Qual o posicionamento que o grupo adotou nesse período tão complicado da cena underground brasileira?

Sergio Baloff - “Enquanto o sistema nos destrói, nós nos destruimos uns aos outros”, já dizia Falsão na letra de “Headhunter D.C.”, e era o que realmente acontecia aqui no período entre 88 e 91, quando bangers, punks e carecas se matavam por diferenças ideológicas. Mas quando comparamos aquela realidade com a atual, quando pessoas de uma mesma cena (ou que pelo menos se dizem fazer parte de tal), que deveriam se unir em prol de ideais em comum, se matam por total escassez de idéias positivas para com a mesma, num ciclo de parasitismo mental que parece não ter fim, vemos que, apesar de ter sido uma merda, toda aquela guerra tinha um por quê. Eram indivíduos com idéias distintas defendendo suas causas - ainda que, em minha opinião, a violência física nunca foi uma justificativa das mais inteligentes. E hoje, o que temos aqui? Metal X Metal! Definitivamente, sem comentários... Nosso posicionamento acerca desses episódios sempre foi um só: sempre defendemos a Causa do Metal; jamais baixamos nossas cabeças para quem quer que fosse; nunca cortamos nossos cabelos ou deixamos de usar camisas de nossas bandas preferidas por causa de nenhum outro grupo ou “facção”, ainda que numa determinada época isso era altamente arriscado nas ruas do centro de Salvador - já cheguei a ser ameaçado por carecas com estilete na rua naquele período, mas felizmente nada de pior jamais aconteceu comigo nem com qualquer um dos nossos. Enfim, o Metal sempre foi a nossa bandeira e não haveria como adotarmos outra postura que não a de verdadeiros headbangers. O reconhecimento sincero dentro do Underground por todo o árduo trabalho desenvolvido é, como falei anteriormente, a maior recompensa que podemos ter. Infelizmente nem sempre tem-se o reconhecimento que se merece (e isso eu falo não apenas em nosso nome, mas em nome de tantas outras bandas que, como nós, batalham arduamente pelos seus ideais), o que é muito comum aqui no Brasil, mas não somos os primeiros e nem seremos os últimos. De qualquer forma, fazemos o que amamos e amamos o que fazemos, e isso é o mais importante para nós. Total resistance for the Cause!!!

Portal Novo Metal (Brasil): Em 1993 com o lançamento de Punishment At Dawn, a banda arrumou suas malas e foi se radicar em Minas Gerais, deixando seu estado de origem, a Bahia. Quais os motivos que levaram uma banda em plena ascensão no cenário optar por Belo Horizonte ao invés da capital paulistana? Qual a repercussão obtida e o que o Headhunter D.C. angariou para si com seu segundo opus, Punishment At Dawn?

Sergio Baloff - A ida para Belo Horizonte, a princípio, se deu pelo fato de que ficaríamos mais perto de nossa então gravadora, a Cogumelo Records, já que teríamos que viajar para lá mesmo para gravar o Punishment At Dawn, e conseqüentemente facilitaria pra nós no que se referia a fazer shows no Sudeste do país. E foi o que aconteceu. Foi a partir dessa mudança de cidade que finalmente conseguimos tocar nos então chamados grandes centros do Metal no país, como Minas Gerais (onde tocamos no legendário Metal BH 3, em Dezembro de 93, ao lado de Chakal, Holocausto, e Calvary Death para mais de mil pessoas), Rio e São Paulo, algo muito difícil de acontecer para uma banda do Nordeste naquela época. Foi um período inesquecível para nós, inclusive uma grande experiência de vida também. Fizemos grandes amizades em Belo Horizonte naquela época, algumas perdurando até hoje. Enfim, um período que sintetizou perfeitamente a tríade eternizada pelo SARCÓFAGO: “Sex (nem tanto, é verdade... muitos risos!!!!!!), Drinks (isso sim, muuuuuuito... gargalhadas gerais!!!) and Metal (nem precisa falar...)”, além do que foi uma honra para nós vivermos por quase 1 ano em pleno berço do Death Metal brasileiro. Punishment At Dawn foi um salto maior que demos rumo a uma maior abrangência a nível internacional. Foi nossa primeira distribuição oficial no exterior em maior escala (via Black Water Recs. da Holanda) e conseqüentemente uma maior aceitação do público estrangeiro, talvez pelo mesmo soar um tanto “europeu”, digamos assim, não sei bem ao certo. Recebemos excelentes críticas em diversos zines e magazines mundo a fora (via Occult Grinder do Japão, Holocaust da Polônia, Final Holocaust da Bélgica, Balance of Terror do Canadá, Iron Pages da Alemanha, Desecration of Virgin, também da Alemanha, etc.), além do disco ter rolado em diversos programas de rádio, também em diferentes países. Isso, em 93, sem Internet, sem compact disc, sem globalização, era um grande feito para uma banda de Death Metal brasileira, quem dirá vinda do Nordeste. Enfim, Punishment At Dawn é outro grande motivo de orgulho para nós e que nos trouxe bons frutos dentro da cena.

Psychosis Death Webzine (Brasil): Sérgio, em 2002 a Cogumelo Records relançou o "Born...Suffer...Die" (1991). E havia um forte comentário que o "Punishment At Dawn" (1993) também seria relançado, porém isto não aconteceu por parte do selo. Você ainda pretende tomar a frente para relançar este álbum?

Sérgio (Headhunter DC): Recentemente estive em contato com o João Eduardo, boss da Cogumelo, e o mesmo me afirmou que estará reeditando o “Punishment...” em CD até Setembro desse ano, num lançamento especial em comemoração aos 15 anos de lançamento deste, assim como está nos planos do selo de colocar o “Born...” novamente em catálogo, dessa vez com uma nova remasterização. Esse na verdade já é um assunto que me deixa um tanto constrangido ao ser questionado devido ao longo tempo durante o qual esse álbum veio sendo especulado para ser lançado e até agora nada, o que pode levar a alguns pensarem que fizemos algum tipo de “propaganda enganosa”, porém tudo o que sempre fizemos nada mais foi do que reproduzir informações vindas do próprio selo. Por ora é o que temos a falar a esse respeito. Mais uma vez vamos aguardar e ver o que acontece...

Portal Novo Metal (Brasil): Em meio a um hiato quase interminável de sete anos, enfim era lançado em 2000 ...And The Sky Turns To Black (The Dark Age Has Come) nas versões CD/LP. Com esse trabalho o Headhunter D.C. reafirmou toda sua relevância pra cena underground extrema mundial, dignificando seu nome como um dos baluartes do Metal da Morte. Quais as principais lembranças que vem a sua mente com relação aos shows de suporte do terceiro full lenght? Você confirma que ...And The Sky Turns To Black (The Dark Age Has Come) foi o disco mais bem sucedido da banda até esse momento?

Sergio Baloff - Sim, certamente ...And The Sky Turns To Black (The Dark Age Has Come) foi o disco que nos projetou, em uma maior escala, a nível mundial, principalmente após a sua reedição americana via Mercenary Musik/World War 3, em 2001. Assim como acontece com o God`s Spreading Cancer..., nós sabíamos que tínhamos em mãos um álbum com excelentes composições de puro Metal da Morte. Mas a repercussão desse álbum acabou superando nossa expectativas, inclusive com alguns reviews citando-o como um dos melhores álbuns de Death Metal da América do Sul de todos os tempos, o que nos deixa bastante orgulhosos de todo o nosso árduo trabalho. Esse álbum foi como um verdadeiro “parto” cheio de complicações, tamanhas foram as dificuldades em fazê-lo com que finalmente visse a luz do dia (ou a escuridão da noite, como queiram...), as quais iam desde os problemas que tivemos com o nosso selo anterior, passando pelos intermináveis problemas de formação, até a jornada de busca por um selo que se interessasse em lançá-lo. Tendo em vista que mais uma vez estávamos remando contra a maré, já que a moda na ocasião era o Black Sinfônico ou o Gothic “gay” Doom com vocais femininos... Resultado: algumas portas foram fechadas para nós, até que finalmente encontramos a Mutilation Records, do nosso amigo Sérgio Tullula - a quem seremos sempre muito gratos pelo suporte -, e o resto é história. Infelizmente só conseguimos fazer uma turnê seqüencial em referência ao ...And The Sky Turns To Black (The Dark Age Has Come) em 2004, a “...Northeast Turns To Black...”, ou seja, 4 anos após seu lançamento original, mas posso citar alguns shows avulsos memoráveis que fizemos após o lançamento do mesmo, a exemplo do show de lançamento aqui em Salvador com SOWER, DEFORMITY e INOCULATION em 5/8/2000, na ocasião em que fazíamos 13 anos de existência; com o REBAELLIUN, também aqui em Salvador, em 2001; Projeto Palco do Rock, Salvador. 2001, para cerca de 8.000 pessoas; Brasília 2002 com o poderoso EMBALMED SOULS (muito foda... hails Paulo!!!), Brutal Devastation Fest 2003 (contagem, MG), no qual fomos headliners, ao lado de APOKALYPTIC RAIDS (hails Leon!), PATHOLOGIC NOISE, IMPURITY, entre outras; Fortaleza 2003 com o INCANTATION (sem maiores comentários... simplesmente kult!!!! Hail the Goat!!!) entre outros. Tocar ao vivo é sempre um grande prazer, uma forma de expressar todo o sentimento que o Death Metal nos proporciona, difícil de fazê-lo através de simples palavras.

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): Falemos sobre o álbum anterior, “...And The Sky Turns To Black... (the dark age has come)”, que já foi um grande marco na carreira do Headhunter D.C. e já mostrava uma banda muito forte musicalmente falando. Depois de tantos anos após o seu lançamento, qual a análise final desse álbum?

Baloff – O que posso dizer é que, em minha opinião, “...And The Sky Turns To Black... (the dark age has come)” é um álbum ímpar em termos de Death Metal. Digo isso não apenas com a visão de um integrante do Headhunter D.C., mas também com a visão de um deathmetalhead, maníaco por Death Metal. Muitos o veneraram, outros provavelmente o odiaram, mas ninguém ficou indiferente a ele. Não que nós saibamos. Eu o acho um disco de atmosfera singular, extremamente cru e horridamente denso, grotesco. Isso o faz único. Tivemos excelentes críticas a ele ao redor do mundo, algumas, inclusive, o colocando entre os melhores lançamentos de Death Metal vindos da América do Sul em todos os tempos, o que nos deixa muito orgulhosos de todo o nosso árduo trabalho. O mesmo vem acontecendo com “God’s Spreading Cancer...”, e isso só nos dá ainda mais força e poder para dar continuidade à nossa saga, a qual já dura duas longas décadas. A análise final que faço é que mais uma etapa da saga foi cumprida, mais uma vez de forma honesta e verdadeira assim como sempre o fizemos. Temos muito orgulho mesmo em tê-lo lançado, principalmente por tudo o que passamos até vê-lo finalmente pronto e espalhado na cena.

Visão Underground ‘Zine # 8 (Brasil): O terceiro álbum da banda, “...And The Sky Turns To Black...(the dark age has come)” foi gravado em Setembro de 1998 e lançado pela Mutilation Records. Por quê a banda não continuou no selo?

Sérgio “Baloff” Borges: Nosso acordo com a Mutilation era apenas para a distribuição do álbum, não chegamos a assinar um contrato com o selo para mais discos. Na época recebemos uma proposta de um selo norte-americano, a Mercenary Musik/WW3 Records, para lançar o “...And The Sky...” lá fora, e a proposta incluía um contrato para mais 2 álbuns, então resolvemos assinar com o selo por acharmos que teríamos mais possibilidades de espalhar nosso nome e nossa música numa maior escala a nível mundial. E foi o que aconteceu. Infelizmente a WW3, que era o selo principal, quebrou devido a sérios problemas com distribuidores, então tivemos que rescindir o contrato, mas num geral ficamos muito satisfeitos com o trabalho de promoção/distribuição do pessoal de lá. De qualquer forma, também somos muito gratos à Mutilation pelo trabalho desenvolvido com o “...And The Sky...” naquela época e pelo grande suporte que nos foi dado. Fico feliz que o selo tenha crescido bastante com o passar dos anos, e termos feito parte dessa história também é uma honra para nós.

Visão Underground ‘Zine # 8 (Brasil): No final de 2005, o lançamento de outra reedição do álbum “...And The Sky Turns To Black...” via Dying Music. Começa a aparecer o nome da Dying Music no caminho do HEADHUNTER D.C.. Como vocês entraram em contato com o Everton? Como rolou essa união da Dying com o HEADHUNTER D.C.?

Sérgio “Baloff” Borges: Nosso primeiro contato com a Dying Music foi em 2004, quando tocamos em Natal durante a “...Northeast Turns To Black... Tour”. O Everton produziu o show, e lá fizemos a ele a proposta de relançamento do “...And The Sky...” com os bônus, o qual aceitou de imediato. Ficamos muito satisfeitos com o trabalho desenvolvido pela Dying Music, e o resultado é uma parceria forte que dura até hoje.

Portal Novo Metal (Brasil): Nas sessões de gravação de ...And The Sky Turns To Black (The Dark Age Has Come) vocês registraram um cover matador para “Morbid Visions” do Sepultura. Por qual motivo ela não entrou no track list oficial do álbum? Nem mesmo na versão luxuosa lançada pela Dying Music, alguns anos depois, com diversos bonus tracks ela foi inserida. Finalmente, algum dia os fãs poderão conferir essa faixa em algum futuro lançamento ou relançamento do conjunto?

Sergio Baloff - “Morbid Visions” foi gravada para integrar um tributo nacional ao SEPULTURA, idealizado pelo Toninho Iron do Sepultura Brazilian Official Fan Club e infelizmente jamais lançado, pelo que fiquei sabendo, por motivos puramente burocráticos. Essa faixa não entrou no track list da versão original de ...And The Sky Turns To Black (The Dark Age Has Come) porque o tributo ainda estava pra sair, então não faria sentido incluí-la no CD. Com o não-lançamento do tributo, nós decidimos colocá-la como bônus em sua edição americana, juntamente com “Twisted Minds” dos mestres POSSESSED. Na verdade, a idéia era incluí-la como a 6ª faixa bônus entre os outros covers que disponibilizamos na reedição brasileira do ...And The Sky Turns To Black (The Dark Age Has Come) via Dying Music, mas infelizmente não conseguimos a liberação para usá-la por motivos de direitos autorais. Nossa esperança é a de que possamos usá-la na possível reedição do Punishment At Dawn, juntamente com outras surpresas, para que todos os que não tiveram acesso a ela possam finalmente conhecer nossa versão para esse grande hino do Death Metal brasileiro e mundial. A propósito, “Cry fuckin` preachers...”. “Morbid Visions” rulz!!!!!!!!!

Peruvian Hell ‘Zine (Perú): Aparte das produções que já conhecemos. Comente a participação de HEADHUNTER DC nos Discos Tributos: Omnisciens (A Tribute To Dorsal Atlântica), Scream Forth Blasphemy (A Tribute To Morbid Angel), Under The Guillotine (Tribute To Kreator)… 

Sérgio “Baloff” Borges: O tributo ao DORSAL ATLÂNTICA aconteceu em ‘96, e o convite se deu devido ao reconhecimento por parte de seu selo responsável, a Rock Shop de Fortaleza, de que tínhamos um certo elo com a heróica história desses pioneiros do Metal Extremo no Brasil. O próprio Carlos Vândalo assinou em baixo o convite, e isso foi mais do que suficiente para integrarmos o tributo e dar um pouco de nossa essência para o hino “Álcool”. No tributo ao POSSESSED, nós fizemos parte do line-up original do projeto a convite de seu idealizador, Arthur Wroblewsky da Immortal Records da Polônia, porém fomos excluídos do tracklist final do tributo (junto com outras bandas), numa total palhaçada e mostra de preconceito protagonizada pela Karmageddon Media da Holanda (ex-Hammerheart Records), que foi quem acabou lançando o mesmo 5 anos após sua idealização. Para fazermos parte do tributo ao Morbid Angel, entramos em contato com o então diretor executivo da Dwell Records (EUA) Jerry Battle, que nos incluiu no mesmo e mais tarde, devido à repercussão de nossa versão para “Blessed are the Sick/Desolate Ways”, nos convidou para mais 2 álbuns-tributo: ao KREATOR, o “Under the Guillotine”, e ao SODOM, a princípio intitulado “Sodomania”, para o qual gravamos a clássica “Sodomy and Lust”, porém esse último jamais fora lançado. Nenhum desses tributos foram lançados oficialmente na América do Sul (com exceção, é claro, do tributo ao DORSAL ATLÂNTICA ), mas de qualquer forma, todos esses covers foram disponibilizados na reedição brasileira de “...And The Sky...” como bonus tracks via Dying Music. Confiram!

Portal Novo Metal (Brasil): Voltando a me basear em sua discografia, não poderia deixar de fora a Live Tape Brazilian Deathkult Live Violence, que saiu apenas no mercado europeu. O que a banda pode falar sobre essa obra em especifico? Porque ela nunca teve uma edição brasileira?

Sergio Baloff - A idéia para o live tape surgiu quando eu enviei ao Hugues “Karnage” Vallot do Eternal Fire Zine/Legion of Death Rekordz (França) umas duas ou três faixas da gravação de um show nosso em Itabuna/BA em Junho de 1995, quando tocamos com o MORDETH de São Paulo. O cara simplesmente adorou aquela gravação e pediu autorização para lançá-la na íntegra em formato cassete, como uma homenagem à banda pelos nossos então 14 anos de estrada. Logicamente sentimos-nos honrados com a homenagem, liberamos seu lançamento, e o resultado foi a Brazilian Deathkult Live Violence...14 years of brutality!!! pela Eternal Fire Tapes Series, lançada no início de 2002. Trata-se de um lançamento genuinamente Underground, apenas para die hard maniacs e extremamente limitado em apenas 100 cópias numeradas a mão. Logicamente se esgotou logo no primeiro ou segundo mês de lançado. A mesma não teve uma edição brasileira porque a idéia era justamente essa, mantê-la obscura, rara, um verdadeiro item de colecionador, mas devido à solicitação de maníacos que realmente mereciam possuir uma cópia e que por um motivo ou outro não tiveram acesso a ela, não descartamos a possibilidade de fazermos uma reedição desse material, porém isso é algo a ser discutido entre a banda e os idealizadores do lançamento.

Psychosis Death Webzine (Brasil): Aproveitando a ocasião: vocês precisam relançar em CD a "Brazilian Deathkult Live Violence…14 Years of Brutality!!!" que é em tape... e um DVD ao vivo contendo a trajetória da banda... e um mega show também seria grande!

Sérgio (Headhunter DC): Há algum tempo eu já venho estudando a possibilidade de relançar o live tape em formato CD, principalmente pelo fato de que foi uma só edição limitadíssima de apenas 100 cópias (você tem a sua, não?), e muita gente que não teve acesso a ele clama por uma edição desse material. Antes disso terei que entrar em contato com a staff do Eternal Fire ‘zine, responsável pelo lançamento, para discutirmos esse assunto, já que a idéia original era mesmo mantê-lo extremamente limitado, um ‘die hard item’. Vamos ver o que acontece. Um mega show como os do KISS ou os do VENOM no Hammersmith Odeon seria realmente grande, não? (risos!) Nós temos recebido algumas propostas para a gravação de um DVD ultimamente, assim como um CD ao vivo, porém os selos interessados não se manifestaram mais a respeito. Fazer uma produção dessas é algo que está muito além de nossos recursos, então, pelo menos por enquanto, isso só será possível caso apareça algum selo com uma oferta concreta para realizar esse projeto, e quando isso finalmente acontecer, estaremos mais do que preparados para registrarmos um de nossos rituais ao vivo.

Visão Underground ‘Zine # 8 (Brasil): A banda passou por diversas formações. Acho que seja impossível uma banda estar junta há mais de 20 anos e não ter nenhuma alteração na formação. O que você acha dessa atual formação, Sérgio? Acha que encontrou os guerreiros certos para enfrentar essa batalha? Tô sabendo que acaba de ser readmitido o baterista Daniel “Beans” Brandão (INSAINTFICATION) como membro efetivo. Comente tudo isso.

Sérgio “Baloff” Borges: É verdade, é mesmo muito difícil uma banda atravessar 2 décadas com a mesma line-up, mas acho que já somos dignos de estarmos no Guiness como a banda que mais já trocou de formação em toda a história do Death Metal! Nem o DEATH ou o INCANTATION nos pega, hahahahaha!!! De qualquer forma, apesar de já sermos bastante céticos quanto a termos uma line-up realmente duradoura (afinal de contas já estamos bem “calejados” nesse assunto), a cada nova formação a esperança se renova e a confiança no grupo como as pessoas certas para completarem o Culto também – ainda que venhamos a nos decepcionar mais uma vez mais pra frente. Time shall tell... Estivemos com essa mesma line-up por 2 anos e meio, até que o Daniel saiu da banda devido a problemas pessoais entre eu e ele. O tempo passou, acertamos nossas desavenças, e hoje tanto ele quanto o resto do grupo achou que era a hora certa de seu retorno, e assim o foi e ele foi muito bem-vindo de volta. Desde antes de sua saída eu já achava que esta era uma das melhores formações do HEADHUNTER D.C., e como falei anteriormente, a esperança agora se renova para que mais pra frente possamos dizer que esta é A MELHOR formação que já tivemos, pois além de comungarmos do mesmo trabalho, comungamos também das mesmas idéias e ideais, como uma verdadeira irmandade deathmetálica. Mais uma vez só o tempo dirá, mas as expectativas para essa atual linha de frente são as melhores possíveis.

Psychosis Death Webzine (Brasil): E aqui estamos, diante do clássico “God´s Spreading Cancer...”, contendo onze verdadeiros cultos ao Metal da Morte. Mantendo uma sonoridade própria, um estio singular e uma sucessão de riffs cataclísmicos, Headhunter DC consegue nos mostrar que o Death Metal é uma fonte inesgotável de inspiração! Velocidade e peso na medida certa, com muitas variações sonoras e mudanças de tempos que culminam em uma estrutura sonora consistente e poderosa! Sérgio, estas são algumas definições rápidas para o som do Headhunter DC, pois vocês conseguem elevar a brutalidade sonora a um nível realmente cativamente, fazendo um feeling metálico estar presente com intensidade. “God´s Spreading Cancer...” é um álbum cativante, é um álbum que convence o ouvinte sem precisar que eu me esforce para isto, pois como eu disse antes: feeling metálico com intensidade! Fale sobre isto.

Sérgio (Headhunter DC): Obrigado por suas palavras, Fernando! É sempre grande ouvir palavras como estas, não apenas apara satisfazer o nosso ego ou aumentar o nosso orgulho, mas porque percebemos que ainda existem pessoas que, como você, conseguem absorver a essência de nosso trabalho da maneira correta, pois é para esse tipo de maníaco, que tem a capacidade de assimilar uma obra de Death Metal o mais profundamente possível, que nossos esforços são direcionados. Com o perdão do clichê, essa é a maior recompensa que podemos receber por todo o nosso árduo trabalho. Se eu fosse traduzir “GSC” com apenas uma frase, o que me viria à cabeça agora seria “feeling ao invés de burocracia”, e é isso que tenho sentido mais falta em algumas bandas mais novas, ou seja, ter a percepção de que há muitos outros aspectos mais importantes no Death Metal que apenas pancadaria aleatória e riffs mirabolantes, como PESO, vocais expressivos, velocidade inteligente e riffs realmente memoráveis, além de textos que não sirvam apenas como mero coadjuvante no trabalho. Mais uma vez, obrigado por suas palavras, Fernando. You rule!!!

Site Whiplash! (Brasil): "God’s Spreading Cancer..." pode ser considerado como um dos grandes lançamentos nacionais de 2007. O Headhunter D.C. vem da velha escola do Death Metal, mas as novas canções mostram que vocês evoluíram muito, e sem perder absolutamente nada de sua essência. Como foi o processo de composição e gravação do álbum? 

Sérgio: Fico feliz que tenha notado isso, Ben! Uma de nossas principais metas sempre foi a de evoluirmos dentro de nosso próprio conceito de se criar Brutal Death Metal, já que sempre vimos no estilo (e no Metal em geral) um grande leque de possibilidades de desenvolvimento musical sem que para isso seja preciso perder a sua essência e macular o seu nome – ao contrário de outras bandas indignas de respeito devido à sua ganância e traição disfarçadas de “evolução” –, e hoje temos muito orgulho em estarmos onde estamos sem JAMAIS termos traído nossas raízes. O “pontapé” inicial para a composição das músicas logicamente foi do Paulo, que foi responsável pelas quatro primeiras composições. Depois nos reunimos em Jacobina para lapidarmos essas músicas e juntos criarmos mais alguns riffs adicionais e arranjos para as mesmas, mesmo período em que me veio as idéias para a faixa título. Posteriormente, já em Salvador, compus as demais músicas do álbum (uma delas em parceria com o Paulo, a “Abortion Of Souls”) e as letras, algumas também em parceria com alguns irmãos meus. A partir daí foi uma série de intensos ensaios até entrarmos em estúdio. Nós gravamos “GSC” em um pequeno estúdio chamado Casa das Máquinas aqui mesmo em Salvador, o mesmo onde nós já havíamos gravado o cover do NECROVORE e as músicas para o split com o SANCTIFIER. Ficamos tão satisfeitos com o resultado dessas primeiras gravações que decidimos também registrar lá o álbum novo, e acho que faremos o mesmo com nossas próximas gravações, já que mais uma vez o resultado final saiu muito satisfatório. Embora se trate de um estúdio de pequeno/médio porte, existem alguns equipamentos muito bons lá, os quais aliados à experiência de seu engenheiro de som Tadeu Mascarenhas (que também é o dono do estúdio), tem feito algumas gravações muito boas. Outro ponto muito importante para o grande resultado final deste álbum foi o fato de que nós tivemos o Thiago Nogueira (ex-baterista do HDC) como produtor, o qual já se tornou referência neste assunto aqui em Salvador devido às suas excelentes produções como, por exemplo, os álbuns debut do UNGODLY, IMPETUOUS RAGE, o novo do THARSIS e nossas gravações anteriores já mencionadas aqui. Também é importante mencionar que Thiago gravou todas as sessões de bateria para o álbum. Sua técnica refinada e batidas brutais e precisas realmente fizeram a diferença no álbum, deixando-o do jeito que nós queríamos. O cara aprendeu, ensaiou e gravou 10 músicas em apenas 10 dias, uma verdadeira façanha! Claro que os seis anos durante os quais ele esteve no HEADHUNTER D.C. tornaram as coisas mais fáceis durante as gravações, mas ainda assim foi mais uma performance surpreendente de um dos melhores bateristas do Brasil na atualidade. Enfim, o resultado de todo esse processo árduo (mas ao mesmo tempo muito prazeroso) é esse que você tem aí em suas mãos e adentrando seus tímpanos, e creio que toda a longa espera tenha valido a pena. 
 
Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): Agora falando sobre o novo disco, ele já abre de forma esplendorosa com a intro “Dysangelium”, um prelúdio do que está por vir. Essa intro não se limita a apenas alguns barulhos ou algo do tipo, afinal ela tem uma letra bastante forte e uma sonoridade que nos remete a épocas medievais, anunciando a “morte de Deus”. Como foi compor essa música?

Baloff: A idéia para “Dysangelium” surgiu pouco tempo antes do início das gravações de “God’s Spreading Cancer...”, e me veio à mente por total inspiração no livro “Assim Falou Zaratustra” de Nietzsche. Foi como visualizar o próprio Zaratustra em seus discursos perante a multidão e tentar reproduzir isso em estúdio da forma mais fiel possível à minha visão da cena. Talvez se tivéssemos tido um pouco mais de recursos o resultado poderia ter ficado ainda mais realista, mas no final ficamos muito satisfeitos com o resultado. Essa intro tem tido uma repercussão enorme, e só temos recebido elogios à ela, inclusive por pessoas que simplesmente odeiam intros em discos, mas como eu tenho dito, não se trata apenas de uma simples intro, mas sim de uma faixa independente, com arranjos, texto, efeitos, etc., algo bem próximo do que o Sarcófago fez em “Recrucify”, o Mystifier em “Our Gloat...” ou o Morgoth com “Cursed”. Fico feliz que tenha gostado também, Valterlir!

ThunderGod ‘Zine # 3 (Brasil): “God is Dead” é o título do som que segue após a intro, e de cara um fudido hino Death Metal! Aliás, o álbum é repleto de sons que com certeza vão ficar na memória de quem realmente curte Death Metal! Você poderia fazer um breve resumo de cada composição presente no álbum?

Baloff: Vamos lá:
*“God is Dead”: Uma música longa (quase 7 minutos), mas que em minha opinião não se torna chata pela sua grande variedade de riffs, vozes e andamentos, ainda que seja uma música totalmente brutal, in your face e cheia de atmosferas mórbidas e profanas. Sua concepção lírica é basicamente a mesma de “Dysangelium”, aliás não poderíamos ter escolhido outra música para suceder a intro, pois uma é um perfeito prelúdio para a outra. “Deuses acima de nós, nunca mais; Agora deixem a verdade reinar suprema...”.

*“Stillborn Messiah”: A primeira música composta para o álbum, e talvez por isso seja possível notar-se um clima muito próximo ao existente em “...And The Sky Turns To Black...”. A letra foi feita em parceria com meu velho amigo e irmão Bruno “El Dibbuk” Garschagen (que já havia dividido os créditos comigo em “Falling in Perdition “ e “Eternal Hatred”), e narra a história de que Cristo teria nascido morto, causando, assim, um aborto na fábula do “Messias Salvador”. “Sucumbido ao nascimento, a fábula está incompleta...”.

*“Celebrate the Chaos”: Talvez a música mais extrema do álbum (não confundir com aquela febre do “Extreme Death Metal”, por favor...). Nesse caso, digo “extrema” em termos de velocidade mesmo, mas ainda assim mantemos nela aquilo que chamamos de “velocidade inteligente”, que unida ao peso grotesco das guitarras e os riffs mórbidos dá a ela o verdadeiro extremismo musical que cultuamos. Sua parte lírica mostra a visão de um mundo dominado pelo Caos, nossa herança de uma existência sem sentido. A solução, totalmente paradoxal, é justamente pregar o Caos para assim encontrarmos a tão sonhada harmonia. “Onde está o seu Deus agora para salvá-lo do abismo?”.

*“Contemplation (to the fire)”: Escrita em ’95, essa música aparece originalmente em nossa promo tape de ’96. Cadência e peso dão a ela um toque especial e a torna altamente convidativa ao headbanging. Alguns novos arranjos foram incorporados a ela, já que não havíamos ficado muito satisfeitos com a sua versão na promo, porém sem jamais mexermos em sua estrutura original. É a única letra escrita por Paulo no disco: um diálogo entre uma pessoa que busca a imortalidade através do poder das chamas e o próprio Fogo, algo que o Paulo leu em um livro de ocultismo. Uma metáfora na verdade, onde a dramaticidade é o seu ponto forte. “Oh grandioso e todo-poderoso Fogo, Fogo que queima a fraca carne dos mortais...”.

*“Abortion of Souls”: Uma música feita em parceria entre eu e o Paulo. Soa como batidas a lá DARK ANGEL no “Darkness Descends” (“The Burning of Sodom”, “Perish in Flames”), linhas vocais típicas dos primórdios do Death Metal brasileiro (via SEPULTURA “Morbid Visions”, MUTILATOR na demo e “Warfare Noise”, etc., nítidas influências nossas) com os riffs, “metrancas” e solos ultra alavancados do Lisboa característicos do HEADHUNTER D.C.. O resultado nos agradou em cheio! A letra é puro ceticismo/niilismo, com uma forte ênfase no “faze o que tu queres” de Crowley. Trechos como “Não há vida após a morte; não há esperança para um outro alento; não há alma a ser salva...” ou “Libere seu ódio antes que seja tarde; siga seus instintos...” sintetizam perfeitamente isso.

*“Black Miracle”: Ultra veloz, violenta, riff em cima de riff, Death Metal to the bone! Seu refrão é o seu highlight em minha opinião, assim como as narrações em cima de bases cavalgadas e ritmos perfeitos para o total headthrashing. Eu costumo dizer que “Black Miracle” é como uma continuação de “The Glory”, do “...And The Sky...”, e podia perfeitamente se chamar “The Glory pt. 2”, pois sua letra segue a mesma linha poética de culto e contemplação ao inexorável destino de todos nós, o fim absoluto, a Morte, logicamente sob uma ótica 100% ateísta. “Eternidades reduzidas a pó, sonhos pintados de negro, abominações (que) transbordam...”.

*“God’s Spreading Cancer...”: Eu acho que trata-se de um dos grandes destaques do disco, uma música que segue uma espécie de tradição criada meio que sem querer por nós a partir do “Punishment...” em fazermos uma música mais cadenciada a cada disco. A parte do meio, com cantos gregorianos, sinos de igreja e vociferações de trás para frente realmente tem chamado a atenção das pessoas pela sua ambiência profana e blasfêmica, inclusive uma publicação da França fez uma citação à Linda Blair no filme “O Exorcista” referente a essa música, o que quase me fez ter um orgasmo de emoção, pois trata-se da melhor película de todos os tempos em todos os âmbitos do cinema em minha opinião. Se tivéssemos recursos para produzirmos um clipe foda para essa música, imagine o que apareceria na tela enquanto seu texto revela trechos como “Eu sou a ponta da lança que dilacera seu coração / Eu sou sétima chaga de sua falsa ressurreição / Eu sou as lágrimas de sangue que escorrem de seus olhos / Eu sou o mal que devora sua vida...”. Um pouco de polêmica não faria mal a ninguém, não é mesmo? Hahahahahahaha!!!!!!!!!!!!

*“Angelkiller”: Cover da legendária banda baiana, pioneiros de nossa cena extrema, nossos irmãos de sangue metálico e parceiros de luta em meados/final dos ‘80’s, THRASHMASSACRE. Uma forma sincera de pagarmos tributo a essa banda, que tinha muito a mostrar à cena nacional e mundial, e perpetuar um pedaço de seu magnífico material. Pure fuckin’ raging Thrash/Speed Metal, não apenas influenciado pelos ‘80’s, mas realmente FEITO na época! Pseudo thrashers, beware! “Forças do Mal vencem no fim, em Seu reino maldito Ele descansa... Angelkiller!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”.

*“Inner Demons Rise!”: (haha!!!) Me deu vontade de iniciar o resumo desta faixa na linha do velho Wilson Dias Lúcio na época em que a Brigade ainda era fanzine: “O peso avassalador dos demônios...”, hahaha!!! Aquilo era fudido demais! Infelizmente ninguém faz mais reviews daquele jeito. Eu vejo “Inner Demons Rise!” como uma mescla entre a brutalidade mais “contemporânea” (seria isso?) – mas nem tanto... – dos anos ’90 com a tradição dos ‘80’s, via seus riffs e linhas vocais. A alternância entre blasts extremamente rápidos e batidas mid tempo, antigas características do HEADHUNTER D.C., aliados a arranjos não tão complexos, mas nem tampouco simplórios, dão uma certo “charme” especial à música, se entende o que quero dizer. ESSÊNCIA ao invés de burocracia! Os já conhecidos solos profundamente sentimentais de Nosferatus também são um must em minha opinião. Trata-se também da única música do álbum na qual usamos teclados, dessa vez ainda mais discretos que os que usamos em “...And The Sky...”, mas que deram à ela a atmosfera fúnebre que queríamos. Liricamente falando, “Inner Demons...” fala exatamente sobre nossos demônios internos, que, quando libertados, são a chave para a nossa rebelião contra o mundo. “Voem alto, pesadelo de meus inimigos, e derrame sobre eles a minha ira...”.

*“Long Live The Death Cult”: Nosso tributo definitivo ao Death Metal enquanto música e ideologia, nada mais que isso! Como escrito no texto introdutório que antecede sua letra no booklet do CD, “é (também) nossa humilde contribuição à vasta lista de hinos do Metal, longe da pretensão de termos criado um, mas com o orgulho de termos conseguido expressar através de suas linhas, tudo o que o Metal (em nosso caso, “Metal da Morte”) representa para nós: nossa saga, nossos sonhos, nossa lealdade ao Culto do Death Metal, o sangue que corre fervendo em nossas veias...”. Essa música é dedicada ao POSSESSED (o motivo para isso não é preciso dizer, né?), e para nós foi muito importante receber elogios do Jeff Becerra à ela, o qual se sentiu honrado com a homenagem, de acordo com suas próprias palavras. Enfim, 100% old school Death Metal do jeito que nasceu para ser! “Ouça nossos cânticos profanos, sinta o ódio que nunca se acaba, as chamas que queimam por dentro, sentimentos obscuros, tão puros...”.

Portal Novo Metal (Brasil): Pessoalmente não consegui destacar essa ou aquela faixa, uma em detrimento a outra. God’s Spreading Cancer... passa até a falsa impressão que estamos diante de um álbum conceitual, em virtude de sua hogeneidade lírico/sonora. Mas confesso que em dois momentos fiquei completamente estupefato. O primeiro deles foi na homenagem ao Possessed em “Long Live Death The Cult”, com direito a uma introdução de um show dos caras e, a cover para “Angelkiller” (da legendaria e pioneira banda de Thrash Metal Thrashmassacre) que me remeteu aos primórdios da cena baiana. Com base nessas afirmativas, vocês conseguem apontar facilmente os hinos que cairão no gosto dos seus seguidores, bem como dos membros da banda?

Sergio Baloff - Antes de mais nada, obrigado por suas palavras. Fico satisfeito quando as pessoas conseguem absorver a essência de nosso trabalho da forma correta. Bem, acho que “Long Live The Death Cult” já é uma música que dificilmente ficará de fora de nossos shows daqui pra frente. Já vínhamos tocando ela ao vivo desde 2004 como uma mostra do que viria a ser o novo álbum, e a reação do público para com ela tem sido incrível, como se todos já a conhecessem de longa data, talvez pelo seu clima 100% old school ou pelo refrão marcante, não sei bem ao certo. Agora, com o disco lançado e todos tendo acesso à sua letra (traduções disponíveis em breve em nosso novo site oficial), dificilmente, em minha opinião, haverá algum die hard deathbanger que não se identifique com o que está escrito ali, ou seja, tudo o que esse Culto em forma de músicka deathmetálica nos proporciona; nossa Saga, nossos sonhos, o orgulho de ser um headbanger, um metalhead. A faixa-título também deverá funcionar muito bem nos shows pelo seu andamento altamente convidativo ao total headbanging. Enfim, não vemos a hora de executarmos esse novo material on stage e vermos a reação do público, que tem uma importância muito grande em nossos rituais ao vivo.

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): O álbum não é conceitual, porém as letras tratam basicamente de um assunto, que é o repúdio às religiões e ao seu Deus. Falando nisso, as letras foram uma grande preocupação nesse disco, uma vez que são muito bem escritas e chamam a atenção, tanto por sua agressividade como pelo tema abordado. Como foi todo o processo de criação literário desse álbum?

Baloff: A parte lírica no Headhunter D.C. tem uma importância tão grande quanto à parte musical; é um conjunto, então uma complementa a outra. Não adianta você fazer uma puta duma música com uma letra falando merda, muito menos uma letra muito bem escrita e inteligente para uma música que é uma bosta total, entende? Essa preocupação com a criação dos textos talvez tenha crescido ainda mais a partir do “...And The Sky Turns To Black... (the dark age has come)”, e a idéia é, logicamente, estar sempre evoluindo também nesse aspecto. As letras de “God’s Spreading Cancer...” foram, em sua grande maioria, escritas por mim, algumas mais uma vez em parceria com alguns grandes irmãos meus, como o meu antigo parceiro na profanação Bruno “El Dibbuk” Garschagen (que já havia dividido os créditos comigo em “Falling in Perdition” e “Eternal Hatred”) em “Stillborn Messiah” e “Celebrate the Chaos” e Vinícius Necrófago (Disgusting/Pure Noise) também em “Celebrate the Chaos”, e nada mais são que reflexos de meus posicionamentos referentes aos assuntos abordados, em sua maioria, verdadeiros ataques profanos à “imoral desonra da humanidade”, o cristianismo e seus dogmas patéticos, porém estamos também sempre abertos a temas como Morte (numa veia poética de culto e contemplação – “Black Miracle”), Caos (“Celebrate the Chaos”), rebelião contra o mundo/sistema hipócrita que nos cerca (“Inner Demons Rise!”), nossa paixão e devoção ao verdadeiro Death Metal Underground (“Long Live the Death Cult”) entre outras, mas tudo sempre sob uma ótica ateísta e anticristã. Desta vez os textos fluíram ainda mais facilmente, devido à experiência adquirida em “...And The Sky Turns To Black... (the dark age has come)”, quando passei a explorar mais o meu lado de letrista, e o resultado mais uma vez me agradou bastante, pois, como pode perceber, não se tratam apenas de blasfêmia por blasfêmia ou rebeldia barata e pueril como muito se vê por aí, mas sim de uma séria consciência anticristã e ateísta e total comunhão com o lado obscuro da vida.

Portal Novo Metal (Brasil): Alguns dos temas líricos contidos no material giram em torno da decadência da cristandade como instituição desprovida de divindade, intrínseca numa conjuntura expressiva de alienação de seus fiéis. Mesmo que explícito nas letras do artefato, qual o posicionamento do grupo quanto a questão da necessidade humana em estar atrelado a alguma religião ou crença que justifique sua existência?

Sergio Baloff - “A religião é o ópio do povo”, já dizia Karl Marx. Essa afirmação sintetiza, entre outras coisas, exatamente o que você falou aí. As letras de Gods Spreading Cancer..., assim como algumas letras do ...And The Sky Turns To Black..., refletem a visão do mundo ideal para nós: um mundo sem Deus, sem Cristo, sem cristianismo, sem hipocrisia, sem falsos moralismos, um mundo onde o “bem” e o “mal” são apenas um (“God is Dead”, “Stillborn Messiah”, “...And The Sky Turns To Black...”, “Eternal Hatred”). O cristianismo, ou a “imoral desonra da humanidade” (Nietzsche), é como um câncer no mundo que precisa ser extirpado, pois simplesmente “aleija” o ser humano em sua capacidade de evolução, reprime seus instintos naturais e o cega perante o mundo real, tornando sua visão e pensamento unicamente voltados a uma eternidade que jamais virá (“Abortion of Souls”), porém acabar com isso não é fácil; não é queimando igrejas ou matando padres que aniquilaremos o cristianismo, pois é algo enraizado na mente de seus seguidores alienados há séculos, algo como uma praga contagiosa passada de geração para geração, então temos que ir na raiz do “mal”, que é a sua criação maior. Infelizmente o povo é burro (ou inocente em demasia), extremamente manipulável, vulnerável, principalmente a população mais carente no Brasil, que mal tem o que comer, quiçá educação e cultura para finalmente se darem conta do mal que as religiões o trazem. Nós renegamos totalmente o cristianismo, a fábula de seu “Deus”, “Messias” e “Salvador” e seus dogmas estúpidos, portanto nossa postura é, logicamente, anticristã. I deny Jesus Christ, the deceiver! Support the war against christianity!!!

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): O encarte foi concebido por Alcides “Burn” Jr., e mais uma vez ele se superou. A arte gráfica ficou à altura da grandeza do novo álbum. Como foi trabalhar com o Alcides? Ele teve total liberdade para criar a arte do disco?

Baloff: O Alcides é um grande artista, e tem mostrado que é um dos melhores dentro daquilo que faz. Sua arte já havia nos chamado a atenção através das capas do “Templars Beholding Failures” do Queiron (hail Grous, Alemão, Furlan & Oscar!) e do ‘debut’ do Sanctifier, e a partir daí chegamos à conclusão de que definitivamente teríamos que trabalhar com ele. E foi o que aconteceu, e estamos plenamente satisfeitos com o resultado final de toda a arte gráfica de “God’s Spreading Cancer...”. Na verdade, a concepção da capa e do layout do disco é minha, mas sempre estivemos abertos às opiniões, dicas e idéias do “mago” Burn, pois confiamos totalmente em seu bom gosto, além do que o cara é um expert em arte profana e consegue perfeitamente captar nossas idéias mais mórbidas e obscuras. No final, a arte gráfica se uniu harmoniosamente às letras e músicas, ajudando-nos a disseminar o Culto de forma ainda mais completa e veemente. Espero que nossa parceria não pare por aqui. A propósito, hails Burn!!!

Site Whiplash! (Brasil): Vocês já tiveram outros registros distribuídos fora do Brasil. Agora, como rolou a possibilidade de "God`s Spreading Cancer..." ser lançado na Europa? Já deu para sentir alguma repercussão?

Sérgio: Nós conhecemos o Hacker da Obscure Domain Productions há aproximadamente oito anos, desde que enviamos para ele uma cópia do “...And The Sky...” para ser revisado em seu poderoso Unholy Terror ‘zine. Desde então desenvolvemos uma grande relação de amizade, respeito e admiração mútuos, até que ele veio com a proposta para lançarmos nosso novo álbum através de seu próprio selo de Death Metal. Apesar de ser um selo recém-formado, estamos satisfeitos em estarmos na Obscure Domain hoje, pois não se trata daquela típica relação fria banda/selo, mas sim uma relação de deathmetalheads para deathmetalheads, o que também é muito importante para nós. Acreditamos que o selo possa nos ajudar a espalhar ainda mais nosso nome e nossa música através de terras européias da mesma forma que podemos ajudá-los a crescer dentro da cena, portanto estamos satisfeitos por estarmos onde estamos agora. A receptividade para o álbum lá fora tem sido incrível por parte daqueles que já tiveram acesso a ele, e a prova disso são os comentários sempre muito positivos em diferentes zines/webzines e revistas mundo afora. A atual bíblia do Death Metal Underground mundial, Necromaniac ‘zine, da Alemanha, por exemplo, citou “God’s Spreading Cancer...” como o melhor álbum de old school Death Metal de 2007 ao lado de “Triune Impurity Rites” do NECROS CHRISTOS.  É claro que sempre têm aqueles que dizem que não trouxemos nada de novo ao Death Metal e blábláblá (como se fosse esse nosso objetivo...), mas num geral a resposta ao novo álbum no exterior tem sido a melhor possível.  

Portal Novo Metal (Brasil): Com o melhor álbum do grupo em mãos, quais os planos pra turnê de suporte do mesmo? Levando em consideração que dessa vez a banda finalmente terá um titulo de sua honrosa discografia lançada na Europa, existem planos concretos quanto uma ida do Headhunter D.C. para o velho mundo?

Sergio Baloff - Não podemos afirmar nada por enquanto, primeiro porque o álbum foi lançado há bem pouco tempo, tanto aqui quanto lá fora, e segundo que o selo que o lançou na Europa, a Obscure Domain Prods. ainda é um selo recém-formado, mas esperamos que possamos colaborar para que o mesmo cresça e, quem sabe num futuro próximo, que possa nos dar um suporte para o nosso primeiro giro pelo velho mundo. Sempre fomos muito realistas quanto a isso, e nunca tivemos aquela obsessão de tocarmos na Europa apenas para termos uma tour no exterior em nosso currículo, muito comum em algumas bandas brasileiras. Certamente tocar em países como Alemanha, Holanda ou França, onde temos um certo número de admiradores, será como um novo álbum a ser lançado, por exemplo, uma séria e importante meta conquistada, mas achamos que tudo acontecerá na hora certa. Por hora, faremos o show de lançamento do álbum aqui na terra sem salvação no próximo dia 21/7 (já deverá ter acontecido quando esta entrevista for publicada), quando teremos o suporte das bandas SANCTIFIER, de Natal/RN, e as locais INCRUST e IMPETUOUS RAGE, nessa que está prometendo ser a noite mais brutal, profana e anti-poser que Salvador já testemunhou. 100% untrendy Death Metal, the true old school way!!! Além disso, já estamos agendando datas para mais uma tour pelo Nordeste a partir de Agosto, e depois procuraremos tocar em todos os cantos desse país fudido. See you on the “Spreading the Death Cult...Tour 2007/2008”!

ThunderGod ‘Zine #3 (Brasil): Falando em vinil, “God´s Spreading Cancer...” também receberá sua versão nesse cult formato, certo? Pela quantidade de faixas com certeza será um vinil duplo. Existe uma previsão de quando o mesmo estará disponível? E pra vocês, qual a importância de lançar materiais nesse formato?

Baloff: Sim, serão dois vinis, sendo que o segundo será um 7” que acompanhará como bônus, contendo o cover de “Angelkiller” do THRASHMASSACRE e nossa versão para “Slaughtered Remains” do NECROVORE. Além disso o LP virá com um pôster da banda e as 100 primeiras cópias virão em splattered vinyl. A previsão de lançamento é até o final de 2007. Quando começamos, em ‘87, não existia CD, e nossos 2 primeiros álbuns foram lançados em vinil, porque era o único formato existente no Brasil naquela época – se não me engano o CD só chegou ao mercado mundial a partir de 1990/1991 – além do K7, então isso é algo natural para nós. Essa espécie de “deslumbramento” por parte de algumas pessoas para com o vinil hoje em dia em minha opinião é por pura moda! Muita gente por aí vendeu sua coleção de LP’s e EP’s e deu fim às suas fitas quando surgiu o CD, e hoje estão voltando a correr atrás de LPs porque atualmente é “cult”. O mesmo pra essa coisa de jaqueta jeans com patches, basqueteira branca, etc. O slogan “back to the roots” é a coisa mais modista que eu já ouvi, porque o certo para mim seria manter as raízes e não voltar à elas, porque para nós as raízes nunca foram esquecidas e muito menos renegadas. Mas enfim, isso aí já é assunto pra uma outra conversa... Finalizando, sempre procuraremos lançar nossos álbuns também no formato LP, pois como falei antes, trata-se de algo natural para nós e que faz parte de nossa história. Infelizmente aqui no Brasil isso tá ficando cada vez mais difícil devido ao fechamento das fábricas, mas faremos de tudo para manter vivo o antigo culto ao vinil. Pure vinyl cult!!!!!!!!!!!!!!!

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): A versão LP traz um bônus para a música “Slaughtered Remains” do Necrovore, que é uma antiga banda Death/Black Metal americana e não muito conhecida aqui no Brasil. Vocês são bem conhecidos por fazer tributos a várias bandas que de alguma forma influenciou o Headhunter D.C., mas qual foi a razão para se fazer um cover para essa banda americana? Apenas uma homenagem à mesma?

Baloff: O Necrovore sempre foi uma grande influência e fonte de inspiração para a nossa música, principalmente após a minha entrada na banda, então o principal motivo de termos gravado “Slaughtered Remains” não poderia ser outro se não o de homenagearmos essa banda de culto, assim como fizemos com outras bandas anteriormente. Há até bem pouco tempo o Necrovore era uma banda extremamente obscura aqui no Brasil, e apenas os mais antigos die hard deathmetalheads tinham acesso à sua música (através de sua única demo/ensaio oficial de 1987), porém, com o advento da internet, MP3, download e outros recursos que só têm ajudado a banalizar o Metal, muita gente passou a ter acesso a essa e outras bandas não menos (outrora) obscuras clamando-se “experts em old school Death Metal” (como alguns garotos daqui, que porque baixaram umas demos antigas num desses programas da internet, já se acham os fodões. Poor them...), mas certamente apenas pouquíssimos conseguem absorver a essência destas da maneira correta, disso eu não tenho a menor dúvida. A princípio, gravamos “Slaughtered Remains” para integrarmos um tributo ao Necrovore que seria lançado pelo selo holandês From Beyond Productions (subsidiária da Displeased Records), do qual também participariam bandas como Pentacle, Thornspawn, Morbosidad, Bloodstorm entre outras, porém como esse projeto foi cancelado (sabe-se lá porque), resolvemos incluí-la como bônus track na versão LP de “God’s Spreading Cancer...” via Evil Spell Records (subsidiária da Undercover Records), com previsão de lançamento para Outubro/Novembro (NDE.: Entrevista realizada entre setembro/outubro de 2007). Procuramos manter toda a crueza e bestialidade originais do Necrovore em nossa versão, ainda adicionando características próprias do Headhunter D.C. Aguardem e confiram!

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): Vocês gravaram para esse novo disco a música “Angelkiller”, um fudido Thrash/Speed/Death Metal, originalmente escrita por Eclésio Menezes e Kleber Borges. Onde estão esses dois caras? Eles chegaram a ouvir essa versão de vocês para essa música?

Baloff: “Angelkiller” é de uma das bandas pioneiras de Metal Extremo daqui de Salvador chamada ThrashMassacre, junto com o Krânio Metálico e Túmulo, da qual eu também cheguei a fazer parte antes de encerrarem suas atividades, no final de 89. Essa música é apenas uma mostra do poder de fogo e do magnífico Raging Speed/Thrash Metal que o ThrashMassacre praticava, e para nós foi uma honra registrarmos este petardo assassino em um álbum nosso, e assim deixar perpetuado um pedaço de seu fudidíssimo material. Recentemente tivemos o prazer de reencontrar nosso grande irmão Kleber após um certo período sem vê-lo, inclusive o mesmo foi um de nossos convidados especiais em nosso show de 20 anos em 21/07 aqui em Ssa., tocando “Angelkiller” conosco juntamente com nosso ex-baterista e batera do ThrashMassacre, Iaçanã. Fudidamente memorável! Hoje estamos mais próximos do que nunca, apesar dele exercer outras atividades profissionais atualmente e não mais fazer parte da cena Metal como antes (mas continua a ser o mesmo fã de Metal batedor de cabeça de sempre), e quando nos encontramos, velhas memórias vêm à tona. O Kleber foi um dos primeiros de fora da banda a ouvir nossa versão para “Angelkiller” – afinal, devíamos isso a ele! –, e o cara simplesmente venerou-a! Depois de ouvir elogios rasgados do próprio Kleber, o que mais poderíamos querer? Quanto ao Eclésio, deste já não temos notícias há um bom tempo, mas seria legal saber sua opinião sobre o cover que fizemos pra música dele. Estávamos estudando a possibilidade de reunirmos o ThrashMassacre (comigo nos vocais e o Paulo nas guitarras) apenas para finalmente registrarmos algumas de suas músicas – assim como fizemos há uns 13 anos, mas tudo não passou de apenas alguns ensaios –, já que a banda nunca chegou a gravar nem mesmo uma demo oficial, mas caso isso não aconteça, a idéia é gravar uma música da banda em cada um de nossos próximos álbuns, portanto, de uma forma ou de outra, mais massacres açoitantes estão a caminho...

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): Outra música que ficou bem numa linha Thrash/Speed/Death Metal foi “Long Live the Death Cult”, um tributo de vocês ao Death Metal, com uma letra que deixará todos os deathbangers orgulhosos. Essa sonoridade para essa musica foi intencional?

Baloff: Hum... Bom, eu não concordo que “Long Live the Death Cult” siga uma linha Speed/Thrash (ainda que saibamos que o Death Metal provenha desses dois estilos citados), mas se o que você quis dizer é que esta música soa 100% enraizada na velha escola do Death Metal (onde, aí sim, os velhos Speed e Thrash Metal estão lá), então estou de acordo. Eu não diria que sua sonoridade tenha sido intencional, pois como disse anteriormente, tudo flui muito naturalmente em nosso processo de composição. Porém há algum tempo eu já tinha em mente a idéia de escrever uma música que falasse de toda a nossa saga em prol do Death Metal, algo como uma pequena contribuição nossa à imensa lista de hinos que tenham a paixão pelo Metal como fonte inspiradora para sua parte lírica, então inevitavelmente não haveria como essa música soar diferente. The (true) Old School lives on! Fuck the trends!!!

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): No Brasil o disco foi lançado via Dying Music e no exterior o lançamento ficou por conta da Obscure Domain Productions, responsável pela versão CD, e Evil Spell Records pela versão LP, ambas da Alemanha. O que a banda espera dos respectivos selos?

Baloff: Apesar de se tratarem de selos relativamente novos e em formação, esperamos que os mesmos possam nos ajudar a espalhar nosso nome e nossa música ainda mais que os selos com os quais trabalhamos anteriormente, e desde já todos eles estão nos dando um bom suporte e fazendo o seu melhor para divulgar o álbum. Da mesma forma, trabalharemos duro para ajudar os mesmos a crescerem, num ciclo de suporte mútuo. De qualquer forma, nesse caso, se trata muito mais de uma relação de irmandade entre banda e selos do que uma relação unicamente profissional/comercial, então estamos muito felizes onde estamos agora.

Site Whiplash! (Brasil): Em janeiro de 2007 vocês realizaram sua primeira turnê sul-americana, chamada “Spreading The Death Cult… Tour 2007 (Destruyendo Sudamerica)”. Deve ter sido magnífica! Como rolou tudo isso?

Sérgio: Sim, essa turnê foi mais um grande acontecimento em nossa carreira, e apesar de todo o cansaço que uma turnê nesses moldes sempre traz, o resultado final foi altamente satisfatório. Primeiro que foi a primeira vez que rompemos as fronteiras do Brasil, e segundo – e o mais importante – que foi uma turnê repleta de shows memoráveis e grandes encontros com nossos irmãos sul-americanos. Foi exatamente um mês na estrada, num total de 13 shows – se incluirmos aí o show de B. J. da Lapa/BA em Dezembro/2006 como sendo o primeiro. Tocar em Santiago, no Chile, por exemplo, cuja cena já acompanhávamos desde o final dos ‘80’s via bandas como MASSACRE, SADISM, ATOMIC AGGRESSOR, TOTEN KORPS, DEATH YELL, APOSTACY, HOLY ATROCITY, entre outras, foi inesquecível, também pelo fato de aquele show ter sido produzido pelos nossos metalbrothers Huaira Herrera e Jose Ruiz–Tagle do poderoso Noise And Shit Mag. (#7 mata!!!) e da Friends of Hell Productions. Tivemos uma receptividade super calorosa lá, com muito churrasco, cerveja de 1 litro e, logicamente, todos aqueles maníacos e maníacas chilenos batendo cabeça e berrando nossas músicas num dos melhores shows da turnê. La Paz e Santa Cruz De La Sierra na Bolívia e TODOS os shows aqui no Brasil também foram foda! Não poderia deixar de mencionar aqui o precioso suporte do Valdecir “Terror” da Morte Pacífica Produções, que foi nosso tour manager e nos acompanhou durante toda a tour – assim como o suporte de Daniel “Beans” Brandão do INSAINTFICATION e então ex-batera do HDC, que atuou como session drummer, e de Igor Noblat, guitarrista do INHERIT, que substituiu Fábio Nosferatus nessa turnê –, numa verdadeira jornada deathmetálica, 100% Underground, anti-mainstream, anti-trend, sem “jabás” ou coisas do tipo, muito comuns na atual cena. Algumas bandas que dividiram o palco conosco nessa turnê foram HOLDER, MESEMON ECROF, BLOODSHED, DESDOMINUS, QUEIRON, BESTIAL ATROCITY, MORTAGE, CLAWN, AMASARAK, MELEKTAUS, FORCE OF DARKNESS, EJECUTOR, DECREPIT CADAVER, MORTOFOBIA, BEMDESAR, BEYOND DEATH, SABATHAN, CARION STENTOR e tantas outras, para as quais mandamos nossos mais sinceros saludos infernales pelo grande suporte que nos foi dado, além, é claro, a todos os fudidos metalheads que bateram cabeça e berraram nossas músicas em cada show. DEATH METAL HASTA LA MUERTE!!! Um grán hail! vai também pro nosso irmão Sílvio Rocha do DOMINUS PRAELII que nos acompanhou on the road to hell durante os 3 shows no Paraná. Enfim, fudidamente memorável!!!

Site Whiplash! (Brasil): E ainda falando em turnês, quais os planos para o futuro? 

Sérgio: A idéia agora é cruzarmos a fronteira novamente a partir de junho para shows na Colômbia, Venezuela, Equador e norte do Peru, mas antes disso não abrimos mão de brutalizarmos por outras cidades desse Brasil fudido espalhando o Culto. Esperamos que dê tudo certo! See you on the Metal road! Quanto a um possível giro pela Europa, algo que somos muito questionados a respeito, agora que temos dois selos trabalhando conosco na Europa, a Obscure Domain Productions (versão CD) e a Evil Spell Records (versão LP), ambos da Alemanha, logicamente as possibilidades para um giro por lá tendem a aumentar, porém continuamos bastante realistas quanto a esse assunto e nunca deixamos que essa obsessão de querer tocar lá fora a qualquer custo – muito comum em algumas bandas brasileiras – nos atinja. Muitos aspectos alheios à nossa vontade entram aí nesse quesito, então é algo que infelizmente não depende apenas de nós. De qualquer modo, quando a oportunidade aparecer, certamente estaremos mais do que preparados para isso e faremos o nosso melhor para espalhar o Culto por terras européias. 

ThunderGod ‘Zine #3 (Brasil): Outro lançamento já concretizado nesse ano é o split vinil (10”) Headhunter D.C./Sanctifier intitulado “...In Deathmetallic Brotherhood”, composto por seis sons, sendo que uma banda toca um cover da outra, mais um inédito de cada e mais um som ao vivo de ambas. Achei muito foda a idéia, mas fale mais a respeito desse material, tipo de quem foi a idéia de lançá-lo, etc...

Baloff: Bem, em decorrência da grande parceria e irmandade que criamos com nosso irmão Hugues “Karnage” Vallot (hail!) após o lançamento do live tape “Brazilian Deathkult Live Violence...” no início de 2002 via Eternal Fire Tapes Series da França, tive a idéia do split com o SANCTIFIER, inspirado no split 10” DESASTER/PENTACLE “...In League With...” via Iron Pegasus Records, no qual cada uma tocava um cover da outra mais materiais inéditos. Passei a idéia pro Karnage, que aceitou de imediato realizar o projeto, e o resultado é o split MLP “...In Deathmetallic Brotherhood”, já disponível via Legion of Death Rekordz desde Maio (limitado em 500 cópias numeradas a mão), no qual aparecemos com uma faixa inédita intitulada “Hymn to Babylon”, mais um cover do SANCTIFIER (“Cycle of the Entity”) e uma versão ao vivo para “Falling in Perdition”, gravada em 2005, enquanto que o SANCTIFIER oferece duas faixas inéditas e uma versão brutal para “Am I Crazy?”. No mais só me resta dizer a todos vocês, reais defensores da verdadeira tradição do Brutal Death Metal brasileiro e sulamericano, que adquiram já sua cópia, pois tratam-se de duas bandas realmente comprometidas com a real essência do Metal da Morte da antiga escola. 100% untrendy!!!!!!

Site Whiplash! (Brasil): Viver da arte no Brasil é um problema, o que dizer então do Death Metal. O Headhunter D.C. conseguiu construir uma respeitável reputação com seu trabalho, mas quais as dificuldades enfrentadas nestes 20 anos que impediu que vocês não liberassem mais do que quatro discos? 

Sérgio: Os motivos para esse desequilíbrio entre os anos de estrada e os álbuns lançados são principalmente os freqüentes problemas de formação e os impasses com selos anteriores, o que significa que tanta demora entre um lançamento e outro é algo que independe de nossa vontade. Por outro lado, também procuramos usufruir um tempo especial para compormos um novo material, sem aquela preocupação obsessiva de quanto tempo levaremos até estarmos com um material novo em mãos, pois não se trata de algo mecânico, mas de sentimento, entende? Sempre fizemos a música que vem do fundo de nossos corações, o que significa que estaremos sempre em busca de qualidade e não de quantidade. De qualquer forma, esperamos não demorar tanto com nosso próximo lançamento, até mesmo para compensar um pouco a grande demora nos dois últimos álbuns. A propósito, novas odes à morte e hinos de blasfêmia e heresia estão a caminho... 

Peruvian Hell ‘Zine # 1 (Perú): Dentro da cena Brasileira e Sulamericana, que bandas considera que merecem ser destacadas? 

Sérgio “Baloff” Borges: Não é de hoje que eu digo que temos na América do Sul uma das cenas mais brutais, extremas e características do mundo, com os mais insanos e dedicados fãs de Metal e com as bandas mais obscuras e originais (logicamente excetuando-se aquela fase dos “clones dos clones” que invadiu a cena Brasileira há bem pouco tempo atrás), que inclusive tem servido de influência e inspiração para diversas outras bandas mundo a fora ao longo dos anos, o que podemos chamar de “escola Sulamericana do Metal Extremo”. Entre as que atualmente merecem ser destacadas no Brasil eu citaria EMBALMED SOULS (masters of bizarre cult! Confiram seu DVD oficial recentemente lançado! hails Paulo!), INCRUST (the unholy gore trinity... hails sickos!), IMPETUOUS RAGE (ave necro!!!), SANCTIFIER (hail Shoggoths!), QUEIRON (novo álbum vindo em breve, com uma participação minha em uma das faixas... hail the Centaurus!!!), DECOMPOSED GOD (salve!), FORNICATION (hoje chamado ANMOD), DOMINUS PRAELII (Heavy Metal tradicional), APOKALYPTIC RAIDS (hails Leon!), UNEARTHLY, MALEFACTOR, PATHOLOGIC NOISE, SARCASMO, INSAINTFICATION (a outra banda do nosso baterista Daniel... killer Deathrash!!!) entre outras, e no restante da América do Sul bandas como MORTEM (all hail!), ANAL VOMIT, HADEZ, BESTIAL HOLOCAUST, BEMDESAR, MASACRE, MELEKTAUS, FORCE OF DARKNESS, GORHOTH e outras merecem nosso suporte por representarem bem o orgulho da cena Sulamericana. Hail the South American legions of death!!!!!!!

Máquina do Metal ‘Zine # 7 (Brasil): A Bahia já é bem conhecida no meio Underground por mostrar ao Brasil muitas bandas de potencial, como o próprio Headhunter D.C., Malefactor, Mystifier, Ungodly, atualmente, e anteriormente bandas como Zona Abissal e Krânio Metálico cravaram seus nomes na cena. A que se deve isso?

Baloff: A Bahia sempre sofreu uma ditadura implacável desde a época do “coronelismo” (cujo seu líder bateu as botas bem recentemente) – ainda que disfarçada – e essa opressão também se refletia na música e na arte/cultura daqui em geral. Felizmente, muitas cabeças pensantes resolveram se rebelar contra toda essa ignorância musical reinante aqui, entre estes, headbangers que, remando totalmente contra a maré do axé (irk!) e outros lixos “musicais”, se recusavam a fazer parte desse sistema fétido, e o resultado foram bandas como Krânio Metálico (Paulinho R.I.P.), Zona Abissal, Íris Vermelha, Sinal Vermelho, Massacre/Thrashmassacre, Túmulo/Headhunter D.C., Sepulchral, Death Vomits, Mercy Killing, Chemical Death, Necrolust, Mystifier, Slavery, The Cross, entre outras, criando assim uma cena de Heavy Metal forte e abrindo o caminho para todas aquelas que surgiram posteriormente. É claro que muitos ficaram pelo caminho, alguns sucumbindo às muitas dificuldades e falta de perspectivas muito comuns no Nordeste, outros até mesmo se rendendo à esse mesmo sistema que um dia tanto lutaram contra, mas o que importa é a história que esses guerreiros construíram diante de tantos obstáculos que até hoje perduram – e que infelizmente alguns parasitas retardatários tentam insistentemente destruir com suas atitudes infantilóides. Apesar de todos os pesares (que não são poucos...), fico feliz por ainda termos uma cena com bandas de qualidade e pessoas que ainda honram o nome do Metal Underground daqui. O resto é só resto!

Visão Underground ‘Zine # 8 (Brasil): Qual sua opinião a respeito da Internet, webzines... Você é a favor ou contra esse meio de comunicação? Ajuda ou atrapalha?

Sérgio “Baloff” Borges: Não sou contra a Internet, mas sim contra o mal uso da mesma, é diferente. O MP3 por exemplo, do jeito que tem sido usado, é um dos principais responsáveis pela atual banalização do Metal e a lenta degeneração do Underground, isso sem falar do Orkut, que tem sido usado por “ditos” headbangers como veículo para a propagação de fofocas, intrigas e outras atitudes totalmente reprováveis dentro da cena. Quanto aos webzines, bem, todos sabem da minha preferência pelos 'zines impressos, mas não tenho nada contra os webzines, desde que estes mantenham o espírito Underground em seu trabalho. Concordo que temos que olhar para o futuro, mas não podemos esquecer a importância do passado, em qualquer âmbito da vida.

Revista Roadie Crew # 108 (Brasil): Apostar em um estilo e manter-se fiel a ele é um preço muito alto a se pagar numa cena metálica que se leva pelas tendências. A pressão por mudanças no som da banda chegou a atrapalhar a carreira de vocês?

Sérgio: Você está totalmente certo em sua afirmação. Esse alto preço nós temos pago ao longo de todos esses anos na cena, seja com as várias portas que foram fechadas para nós quando o Death Metal era um estilo considerado “morto” por muitos ou seja com a já citada falta de reconhecimento à nossa história em alguns âmbitos da cena. Como costumo dizer, se tivéssemos virado wimps e nos rendido a certas ditaduras muitas vezes impostas pela cena, talvez já tivéssemos assinado com uma major, lançado álbuns mais freqüentemente e certamente já estaríamos com diversas turnês no exterior em nosso currículo, porém não é assim que as coisas funcionam para nós. Viemos do Underground e nele permaneceremos, mesmo porque Underground para nós não significa apenas um status (ou a falta de um, como queiram) em que determinada banda se encontra, mas também um estado de espírito, uma ideologia com princípios a serem preservados. É claro que a grande maioria hoje sequer dará ouvido ao que estou falando aqui, mas o que nos importa é que para nós isso está muito além do que um simples discurso. Felizmente nunca sofremos uma pressão direta por mudanças em nosso som, como por exemplo, vinda de gravadoras e empresários que quisessem faturar em cima de nós, e caso isso tivesse acontecido esteja certo de que jamais cederíamos. Antes darmos um fim à banda do que macular nosso nome e nossa história conquistados ao longo dos anos. Por outro lado, sempre existe aquela pressão indireta vinda da própria cena cuja regra é você adequar-se ao que está “in” no momento para poder manter-se em evidência e conseqüentemente garantir sua popularidade na mesma, mas sempre fomos mais fortes que tudo isso, e a prova disso é que somos uma das únicas bandas brasileiras de Metal de meados dos 80’s que atravessaram todos esses anos em constante atividade e mantendo-se 100% íntegros em meio a todo esse vai-e-vem de modas e tendências musicais. E temos muito orgulho disso!

Revista Roadie Crew # 108 (Brasil): Algumas bandas como Unleashed, Bolt Thrower e Incantation são conhecidas por manterem-se fiéis às raízes do estilo que os fez conhecidos. Na cena brasileira cabe ao Headhunter D.C. esse papel?

Sérgio: Eu acho que sim, e fazemos nossa parte, sempre mantendo-nos fincados em nossas raízes, com uma postura musical e ideológica intacta, enfim, carregamos a bandeira mesmo, com muita honra e orgulho. Não coincidentemente, estas bandas que você citou aí, juntamente com outras como Immolation, Benediction, Master, Cianide, Mortem, Sadistic Intent, Dismember, Nunslaughter, Sinister, Monstrosity, Malevolent Creation, nunca foram, digamos, absorvidas pelo mainstream, justamente por terem se mantido fiéis ao seu estilo de origem após tantos anos, por isso nos identificamos tanto com elas, algumas com as quais temos orgulho em manter contato, justamente para personificar essa comunhão em prol do verdadeiro espírito do Death Metal. Felizmente não estamos sozinhos aqui no Brasil, e podemos contar com grandes aliados na manutenção da antiga escola do Metal da Morte brasileiro, e bandas como Embalmed Souls, Incrust, Nauseous Surgery, Impetuous Rage, Sanctifier, Apokalyptic Raids, entre outras, ainda que mais novas que nós, representam muito bem a elite do old school Death Metal Underground nacional.

Revista Roadie Crew # 108 (Brasil): Entre os fãs é notório o anseio por um registro ao vivo, que poderia vir no formato de CD ou até de um DVD. A banda já se posicionou a respeito?

Sérgio: Eu acho que nós estamos em um bom momento para lançar um álbum ou mesmo um DVD ao vivo, inclusive já recebemos algumas ofertas para ambos, porém ainda não há nada de concreto com relação a isso. Temos agora 20 anos de existência, quatro álbuns de longa duração lançados, um nome bastante razoável na cena Death Metal Underground mundial, uma larga experiência em palco e uma das melhores formações que já tivemos, o que nos leva a uma conclusão de que estamos mais do que prontos para registrarmos um de nossos rituais ao vivo em CD/LP ou DVD. Talvez isso venha a acontecer em um futuro mais próximo do que possamos imaginar…

Psychosis Death Webzine (Brasil): Sérgio, estamos finalizando a entrevista! E eu tenho três perguntas realmente pessoais:
O que significa Metal para você?

Sérgio (Headhunter DC): Heavy Metal é algo que transcende os conceitos usuais da Música, justamente por não tratar-se apenas de um mero estilo musical e nem mesmo uma simples forma de Arte, mas um Culto, onde as “regras” são o prazer pelo peso, o furor da rebelião, a busca pelo conhecimento e o anseio pela evolução, tudo isso tanto em termos musicais quanto ideológicos, o que o torna ainda mais completo. Minha vida por 25 longos anos! Hail the cult of Heavy Metal, forever and in eternity!!!...

E o termo “Death Cult” tem relação direta com um culto ao Metal da Morte ou um culto a Morte em si?

Sérgio (Headhunter DC): Muito boa pergunta, o que já é de praxe em suas entrevistas (uma rasgaçãozinha de seda não faz mal a ninguém, né? hehehehe...). O termo “Death Cult” como significado para as iniciais “D.C.” no nome da banda surgiu em 96, por sugestão do meu amigo Ricardo Veiga do Metalurgia Mag./GOLDEN PYRE de Portugal, e resolvemos adotá-lo por simbolizar de uma forma mais abrangente tudo o que o verdadeiro Metal da Morte representa para nós e que ganhou maiores proporções com o passar dos anos, passando de apenas uma forma de expressão musical e ideológica para um Culto realmente. Além disso, sendo a Morte um aspecto essencial dentro do Death Metal num contexto geral, trata-se também de um culto à Morte em si, mas não como uma jornada espiritual como faz tão bem o THE CHASM, por exemplo, mas num conceito de culto, respeito e contemplação ao inexorável destino de todos nós.

E o que é Morte?

Sérgio (Headhunter DC): Fim absoluto! “Revela-te, oh incógnito! Ressumbra, ao menos, sob tua forma eterna: imutável, aquém e além dos tempos. És tu quem nos crucias, pois está sempre oculta tua face perene...” (“The Glory” – “...And The Sky Turns To Black...(the dark age has come)”, 1997/1998).

Portal Novo Metal (Brasil): Bem Sergio Baloff, chegamos ao final dessa entrevista especial de vinte anos de carreira do Headhunter D.C. Mais uma vez gostaria de parabenizá-lo pelo mais novo trabalho e, principalmente, por terem se mantido ativos e fiéis ao Metal da Morte! É chegada a hora das considerações finais...

Sergio Baloff - Argh!!!, sentimos-nos honrados com essa homenagem pelos nossos 20 anos, portanto agradeço à você Eduardo “Duda” Macedo e à toda a equipe do Portal Novo Metal (que tal trocar o nome para Portal “Old” Metal? Hahahaha!!! Brincadeirinha...), por essa entrevista super informativa e pelo precioso suporte dado ao HEADHUNTER DEATH CULT. Esses agradecimentos se estendem também a todos os nossos irmãos do Death Metal, seguidores do Culto da Morte e admiradores por todo o seu poderoso apoio ao longo de todos esses anos, sejam aqueles que já nos acompanham desde os nossos primórdios ou os que nos conhecem a menos tempo. “Isso é o que nos mantém vivos!” (“Long Live The Death Cult”)! E quanto àqueles pseudo metallers que falam merda sobre a gente através dos Orkuts da vida, sem qualquer vestígio de razão ou autoridade (nada contra quem se utiliza desse veículo com fins conscientes, inteligentes e responsáveis. A propósito, uma grande hail! para todos os membros das comunidades do HEADHUNTER D.C. no Orkut!), o nosso mais profundo DESPREZO! Fodam-se no céu com o seu Deus e continuem vivendo suas vidinhas insignificantes, mentindo para si próprios sobre o que vocês realmente são: falsos, posers, modistas e metaleiros de ocasião - sem falar nos infantes em corpos de velhos decrépitos. Eles sabem quem eles são... Muito em breve os estaremos vendo embarcando na próxima moda do momento, se ainda estiverem aí, é claro. Vocês para nós não são nada, portanto... F.O.A.D. (se não sabem o que é isso, vão escutar o velho VENOM e saberão o que é!)!!!!!!!!!!!! À vocês Metalheads (com “M” maiúsculo!), unam-se a nós para uma verdadeira aliança em prol do VERDADEIRO METAL, enquanto músicka e ideologia (independente de estilos) e contra a mediocridade na cena atual. (Death)Bangers, unite!!! Confiram Gods Spreading Cancer... via Dying Music na América do Sul (www.dyingmusic.com) e Obscure Domain Prods. na Europa (www.obscuredomain.com), apóiem o Metal Underground sulamericano, batam suas cabeças até a fudida morte e mantenham-se distantes de Deus. Nós somos o câncer de Deus que se espalha... Death Metal rules supreme... the glory is ours!!! LONG LIVE THE DEATH FUCKIN CULT!!!!!!!!!!!!!!!!!! 666!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

 

 

 

Home - News - Biography - Line-Up - Gallery - Interviews - Reviews - Discography - Downloads - Merchandising - Guestbook - Contact
©Copyright 2008 - Headhunter Death Cult / The Heretic Inc. - All Right Reserved.
Developed by Leonardo Lima - INVERTED S.D.
INVERTED Sites Development